Para muitos, câncer é sinônimo de morte. Às vezes, isso é verdade. Mas não sempre.
De toda forma, o câncer é enfermidade que assusta. O enfermo, a família, os amigos, os colegas de trabalho. E é justamente, nesse momento, quando a pessoa que recebeu o diagnóstico está tentando administrar a questão, em sua mente, que os amigos, colegas, familiares, por vezes, dizem o que não devem.
Alguns começam a tentar descobrir a causa. Se é uma mulher a portadora da enfermidade, dizem que ela não amamentou, e por isso está com câncer no seio. Ou porque trabalhou demais. Ou até porque reprimiu a sua raiva.
Se for um fumante, não faltam os que, indelicados, passam a dar lições de moral.
Nem podia esperar outra coisa! Da forma que fumou a vida toda! Eu não falei? Eu não avisei?
Convenhamos que a pessoa já está colhendo os amargos frutos da sua atitude, portanto, não necessita de carga maior a lhe pesar sobre os ombros.
Existem algumas fórmulas dignas de abordar a questão, tanto quanto auxiliar a quem está padecendo cirurgia, radioterapia, quimioterapia, exames e mais exames e possivelmente pensa, sim, na possibilidade de morrer a breve tempo.
Assim, se souber por terceiros do diagnóstico de amigo ou conhecido, telefone logo. Oferte sua ajuda. Mas seja específico. Não diga simplesmente: se precisar, telefone ou já sabe, estou às ordens.
Ofereça-se para levar o amigo ao hospital. Ou para ficar com as suas crianças em sua casa, uma ou outra vez.
Vá ao mercado, à feira, faça as compras. Pergunte se não precisa de companhia, e a que horas.
Quem sabe possa segurar sua mão enquanto ele aguarda na sala de espera, por mais uma consulta?
Leve revistas alegres, descontraídas. Revistas que falem de viagens, mostrem lindas paisagens, ensinem decorar a casa, plantar flores. Tudo, enfim, que revele beleza, leveza.
Não aumente as dores do enfermo, contando as suas próprias dores e nem diga: se fosse eu, jamais suportaria isso.
Seja sempre o portador do bom ânimo. Ofereça-se para orarem juntos, lerem uma página edificante que robusteça o ânimo.
Fale a respeito de Deus, da esperança, do otimismo. Também da imortalidade, da vida que nunca acaba.
Lembre-se de comprar um presente. Não livros sobre a doença. Mas pequenos mimos que possam ser portadores de alegria ao doente.
Pode se oferecer para servir de contato entre ele e as demais pessoas que desejam saber notícias, evitando que tenha que repetir as mesmas coisas, a cada um que telefona.
Em resumo, pense nas necessidades da pessoa. Coloque-se no lugar dela. Se fosse você o enfermo, como gostaria de ser tratado? O que gostaria que lhe dissessem?
Pense que o doente é uma pessoa que tem sentimentos. E, normalmente, está em um estado de maior sensibilidade, fragilizada e desejosa de apoio.

Ante a enfermidade que atinge a uns e outros, não fique a indagar de causas. Pense em auxiliar.
Não se transforme em dono da vida do enfermo. Permita-lhe usufruir das pequenas coisas que ele deseja e o irão fazer feliz: um pequeno passeio, um banho de sol, um programa de TV, quiçá, aquela comida especial de que tanto gosta!
O amigo na enfermidade é sempre o que incentiva, alegra, sustenta e permanece fiel.
Fonte: Momento Espírita, inspirado no texto Sem
palavras, de Kate Carr, de seleções Reader’s digest,
de junho/2003.
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